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Goris

[História] África!

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Que eu entendi que o o capitalismo é ruim, mas todas as outras opções a ele até agora inventadas são piores, não é novidade.

Seguidores de outras linhas políticas - em especial o socialismo, que só produziu fomes em massa, opressão e 100 milhões de mortos (quase 6 vezes mais que o nazismo) - gostam muito de culpar o capitalismo por todos os males do mundo. Escravidão? Pouco importa se ela foi a base de civilizações desde a Idade Antiga, vamos culpar o capitalismo por ela. E se alguém mostrar que o capitalismo ajudou a acabar com a escravidão no mundo, vamos colocar isso como se fosse algo malvado e dizer "Ah, mas o capitalismo só acabou com a escravidão porque preferia as pessoas livres podendo comprar que escravas sem poder consumir", ou seja, até a verdade elas colocam como algo ruim.

 

E já discutimos muito isso aqui na BG.

 

Dia desses, em outro fórum em que participo, um cara disse "A culpa da África ser essa miséria toda é do capitalismo!" e ninguém chegou a contradizer esse disparate. Eu tive que corrigir esse cara. Não foi o capitalismo que ferrou a África. Maurício, a nação africana com maior qualidade de vida é um paraíso capitalista liberal. Somália, uma das nações mais terríveis de se viver no mundo, era socialista até se desintegrar (e não, ela não virou capitalista, é uma nação pós-socialista plena).

 

Então, pensei: Por que não explicar a realidade pra essas pessoas? Mostrar a verdadeira história da África e como ela se tornou o caos que é hoje?

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História da República Democrática da Somália.

 

Parte I: Comerciantes da Antiguidade, viajantes do mundo, sábios e guerreiros.

 

=>A história da atual República Democrática da Somália remonta aos tempos do Império Egípcio.

A Somália era tão rica e poderosa que seus comerciantes eram encontrados no Egito, Fenícia, Babilônia e até mesmo a longínqua Grécia!

Quando pensamos em África (especialmente uma nação tão longe dos atuais grandes centros de poder) imaginamos tribos mais ou menos avançadas, mas a Somália era uma (e não a única) das terras com avançada tecnologia e centros urbanos. A rigor, se você fosse um egípcio ou grego, não veria grandes diferenças entre suas maiores cidades e as maiores cidades somalis. Até porque o povo tinha grande capacidade de adaptação e tinham templos, pirâmides e edifícios de alvenaria de grande qualidade.

Até a era medieval, na Europa, a Somália permaneceu sendo um grande centro de comércio e cultura africana, pegando o que havia de melhor na própria África, Ásia e Europa e integrando à sua cultura. Foi nessa época que tiveram contato com a religião islâmica, através tanto de comerciantes quanto de imigrantes árabes que se estabeleceram lá, fugindo de guerras e violência.

Até o final da Idade Média a nação foi se tornando (pacificamente) islamica e seu poderio econômico se refletia em seu poderio militar. Apesar de não ser expansionista (obviamente, num período de mais de 2 mil anos houve períodos de guerra e conquista) o exército somali era grande, poderoso e bem equipado.

Tanto que quando portugueses e abissínios, cristãos, tentaram conquistar a Somália, islâmica, após vários anos de guerra os somalis foram os conquistadores de parte da Abissínia, inclusive sendo oficialmente os primeiros africanos a usar armas de fogo contra conquistadores na África. A realização de que armas de fogo eram superioras às armas brancas lentamente mudou a forma como a Somália fazia guerra. E essa mudança foi duradoura, pois mesmo nos 4 séculos seguintes, o reino sobreviveu a todas as tentativas europeias de colonização. 

Basicamente, o estado derviche (a somália da época) tinha sete regimentos, cada qual com 1000 a 4000 soldados, uma força paramilitar formada por nômades, uma cavalaria com 5000 a 10000 cavaleiros, com um exército municiado com armas modernas como rifles e metralhadoras maxim...

Sua fama após derrotar por quatro vezes as forças militares do até então irresistível exército imperial inglês fez com que a Somália fosse cortejada e, logo após, aliada dos Impérios Alemão e Otomano. A rigor, a única nação islâmica independente a lutar na primeira guerra mundial foi a Somália.

Mas a péssima decisão de se aliar a alemães e otomanos, ambos derrotados, fez com que os ingleses decidissem tentar uma quinta invasão.

 

Desta vez a aviação fez uma diferença fundamental. Após vários bombardeios, e sem recursos anti-aéreos, a capital se rendeu, em 1920 e finalmente, depois de mais de 2 milênios, a Somália se tornou uma colônia de outro povo.

História da República Democrática da Somália.

 

Parte II: Colonos do Império + Independentes, capitalistas e ricos.

 

 

Pois bem, após mais de 2.000 anos livre, em 1920 a Somália foi conquistada devido ao uso de aviões, a Itália participou dessa conquista tomando para si a parte norte do país, enquanto a parte sul ficava como protetorado inglês. O dominio estrangeiro não foi especialmente fácil, pois tribos e grupos islâmicos no interior do país ainda resistiam. Os ingleses decidiram que a melhor forma de governar o país era manter um pouco da ordem antiga, deixando ingleses em postos-chave do país e tentando manter uma parte do governo anterior enquanto lentamente fariam uma transição para um governo colonial dócil e submisso.

O plano não foi muito para a frente por conta da segunda guerra mundial. A Itália, dominando a parte norte do país, acabou entrando em conflito com a parte sul e embora os ingleses dominassem rapidamente o país, os italianos não deixaram de fornecer armas e auxílio logístico aos insurgentes somalis, que passaram a se tornar mais perigosos e atrapalhar os interesses ingleses.

Dito isso, logo após o fim da segunda guerra mundial a Inglaterra preferiu deixar o país sob controle dos líderes de direito, mantendo o país como aliado, a tentar manter à força seu controle e o país se tornar inimigo. O resultado foi que o país se tornou novamente independente e aliado da Inglaterra. Uma economia de livre-mercado.

Nesse período, fins dos anos 40 e início dos anos 50 a Inglaterra concede independência à Somália, mas um período de transição faz parte dos acordos entre o status de colônia e a independência total. O objetivo era uma transição pacífica e gradual. Embora boa parte da população aceitasse esse acordo, o grupo político SYL (guarde esse nome) se posicionou abertamente contra uma transição pacífica e lenta, mas ainda nao tinha poder para influenciar os destinos do país, apenas fazendo oposição e prevendo o fim do país e o apocalipse caso se seguisse o plano imperialista inglês. É, conhecemos essa ladainha? Vale comentar que nem tudo eram flores, no acordo, uma parte relativamente rica do país foi entregue à Etiópia (ingleses e sua sensibilidade colonial), o que gerava ainda mais motivos para o SYL vociferar contra a independencia lenta.

Ao contrário dos alertas (na verdade, esperanças) do SYL, o período de transição foi cultural, política e economicamente vantajoso aos somalis. O país cresceu economicamente, a administração italiana e inglesa estava formando uma elite regional (a odiada classe média) educada e cosmopolita. A posição do país, próximo ao oriente médio, egito, ìndia e cia o tornava um ponto comercial interessante, os anos 50-60 foram anos de grande melhoria material para o povo somali, que vivia mais e melhor que os seus vizinhos.

Após a independência formal, o SYL - grande expoente da luta contra o colonialismo - se tornou o principal partido político do país. E foi nos anos 60 que o governo começou a se aproximar mais da URSS, que fornecia armas, treinamentos e ajuda diplomática e da China, que fornecia empréstimos para aplicações civis. Vale muito lembrar que essa bondade socialista toda era sem segundas intenções. Levar soldados e políticos para serem doutrinadostreinados nestes países, vendo as coisas grandiosas que o socialismo trazia apenas servia a propósitos humanistas.

Imaginem, se com o livre-comércio capitalista opressor a Somália cresceu tanto em meros 10/20 anos, quanto o país não cresceria se seguisse os passos de nações ricas e poderosas como URSS e China? O socialismo e a liberdade da ditadura do Proletariado poderiam transformar a Somália num paraíso. 

O que poderia dar errado?

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História da República Democrática da Somália.

 

Parte III: Vamos Venezuelar a Somália, vai dar serto, pode confiar!

Agora sim, a verdadeira e gloriosa história da Somália, escondida pelos capitalistas opressores malignos, vai ser contada.

 

E aqui começa minha babação de ovo em cima do capitalismo e demonização do socialismo. Se as partes I e II te interessaram, tem muito lugar bom pra obter informação. Evite livros do MEC onde se conta que os ingleses capitalistas opressores enfrentaram com armas de fogo, tanques e aviões os pobres somalis armados de lanças e facas. A Somália era um país relativamente rico antes de 1920 e com um exército se não poderoso, ao menos capaz de resistir a quatro invasões ingleses. A história dos aviões, no entanto é verdade. Além do fator estratégico, os aviões devem ter tido um poder psicológico terrível sobre os somalis (ou não, apenas imagino essa parte).

Pois bem.

Após mais de 2000 anos livre, em 1920 as novas armas surgidas durante a primeira guerra mundial da Europa deram uma vantagem enorme dos europeus frente aos somalis e o país foi conquistado e dividido. Ingleses tomaram conta do sul do país e italianos, do norte. Entre 1920 e 1949 a Somália foi uma resistente colônia. A Europa se arrasou de tal forma durante a segunda guerra mundial que manter as colõnias (especialmente aquelas mais hostis como a Somália) se tornou quase impossível e Inglaterra e Itália decidiram que era melhor conceder independência de forma amigável e incluir suas ex-colônias na cadeia produtiva inglesa (e italiana) que como inimigos.

O resultado foi, para os somalis, extremamente lucrativo, já que o país atravessou toda a decada de 50 com crescimento economico e de qualidade de vida. Mas houve erros. A concessão de parte da Somália ao país inimigo, Eitópia, gerou um ressentimento que foi profundamente utilizado pelo SYL, um partido de oposição que, a princípio, não era socialista, para fazer com que a população se afastasse do eixo Itália-Inglaterra-EUA e se aproximasse da URSS e China.

 

Como eu disse, a princípio, o SYL não era um país socialista, mas a aproximação com a China e URSS acabou levando amplos setores da sociedade a se tornarem simpáticos ao socialismo. Oras, a Somália havia crescido muito, mas ainda era uma nação atrasada. Não em relação a seus vizinhos africanos, mas em relação aos europeus. Claro que a Somália poderia trabalhar duro por mais uns 20 ou 30 anos e chegar ao nível das ricas nações européias. Mas eis que certos grupos passaram a comentar que a Somália só era atrasada porque os EUA malvados queriam, porque os empresários somalis queriam roubar a riqueza do povo, que a política liberal era culpada. E entre trabalhar 20 anos e dizer que a culpa era dos EUA e do capitalismo, qual deles você acreditaria se fosse um somali?

 

Com esse discurso (exatamente o que levou a Venezuela ao caos em que vive e que nos fez enxergar Dilma e o PT como opções), o SYL - agora já claramente flertando com o socialismo, obteve apoio para mudar as políticas economicas liberais em troca de políticas econômicas mais socializantes, querendo distribuir melhor a riqueza e controlar a economia. Tudo isso de forma democrática.

Quando, em fins dos anos 60, as políticas socializantes trouxeram menos crescimento e o povo, em peso, votou contra o SYL, o partido anunciou que era uma fraude nas eleições (não era, afinal se o SYL estava no poder, eles teriam que ser muito incompetentes para serem fraudados, né?) e começou um período de crise com o SYL não aceitando sair democraticamente do poder e se aproximando do exército. 

Em 1969 o presidente eleito é assassinado e um período de caos rapidamente é parado pelos militares, que implantam um regime de socialismo islâmico (!!!!!) no país e se aliando oficialmente à URSS, China e outros sucessos marxistas. O governo islâmico-socialista inicialmente teve grandes sucessos, por exemplo, criando o idioma somali a ser ensinado nas escolas ao invés dos idiomas dos colonizadores. A economia planificada também permitiu um rápido desenvolvimento do país. Mas para governar, inicialmente o partido teve uma política oficial de acabar com o tribalismo, algo bom, mas a forma como o governo tentou implantar essa idéia acabou gerando mais conflitos que unidade. Principalmente porque o objetivo de longo prazo do SYN (recuperar a região somali cedida à Etiópia) foi mantido pelos socialistas, imagina você dizer que é contra a divisão por etnias e ao mesmo tempo dizer "Temos que recuperar aquela terra porque são pessoas da etnia somali que vivem ali"?

Durante a década de 70 o país continuou titubeante, entre períodos de crescimento e estagnação, mas relativamente com crescimento. Quando os socialistas acreditaram ter poder suficiente, iniciaram uma guerra contra a Etiópia pela recuperação da província perdida. Com o apoio soviético, a as forças somalis conseguiram uma vitória rápida e incontestável sobre seus inimigos.

Mas, como para os socialistas todos os povos são iguais, mas alguns mais iguais que outros, ser aliado da Etiópia era mais interessante para China e URSS que aliados da Somália e fizeram acordos secretos de ajuda com a promessa de que se a Eitópia renunciasse às alianças com os EUA e se tornasse socialista, impediriam que a Somália conquistasse o resto do país.

O resultado é que logo os equipamentos cedidos aos somalis foram tomados, os assistentes militares foram transferidos e a Etiópia recebeu farta ajuda militar e economica. 

 

=>Incrível, socialistas traindo socialistas porque os lucros eram altos? Quem diria.

 

Os socialistas somalis aprenderam que os ideais de revolução global eram mais importantes que os acordos entre camaradas socialistas irmãos e denunciaram o apoio da URSS, China, Coréia do Norte e Cuba (que participava ativamente da "descolonização" da África), perdendo o apoio financeiro deles e, com o tempo, perdeu novamente o controle da região que tantas mortes e custos trouxe ao seu povo.

No fronte financeiro, as idéias econômicas socialistas precisavam de uma vasta mudança na agricultura e indústria, que tornaram o país - até então auto-suficiente - em dependente do dinheiro soviético-chinês, sem o qual a economia ficou abalada. O fracasso militar na retomada de Ogaden trouxe milhares de refugidados, sentimento de vergonha nacional, falta de dinheiro e crise econômica. Esse período vê o surgimento de uma grande resistência ao socialismo por parte de diversas tribos e a ameaça de guerra civil. Ainda mantendo o socialismo, a Somália tenta uma reaproximação aos EUA, mas a economia já está cambaleante. Nisso, vem a grande seca que, nos anos 80, atingiu aquela região da África.

A mistura de guerras tribais contra o Regime, seca, refugiados da empreitada militar, falta de ajuda externa, políticas econômicas equivocadas, corrupção endêmica (Oh, socialistas corruptos? Quem imaginaria?) transformaram a crise num caso de calamidade humanitária. A guerra civil gerou nova leva de refugiados, desta vez somalis fugindo para a Etiópia vizinha, que também passava pela seca, mas não por guerras civis. Por um tempo, o maior campo de refugiados do mundo ficava na Etiópia, com cidadãos somalis fugidos da guerra.

A ajuda humanitária era desviada, até chegar a um ponto que a própria ONU permitiu interferência estrangeira. Mas o caos era tal que não havia um grupo com representatividade que pudesse ser chamado de governo a ser apoiado, mais ainda, os senhores da guerra somalis não aceitavam o que enxergavam como uma nova invasão estrangeira e atacaram as tropas que vieram ajudar (nesse contexto acontece o evento que leva ao filme Black Hawk Down).

Toda a década de 90 foi um complexo e terrível jogo de quebra-cabeças com grupos armados se aliando contra outros grupos, quebrando essas alianças e formando novas contra os antigos aliados, senhores da guerra buscando apoio de piratas, traficantes (de drogas, pessoas e etc) ganhando poder num dia e sendo mortos no outro.

Para alegria de todos, desde 2009 a parte islâmica da antiga aliança islâmico-Socialista tomou o poder de grande parte do país, implantando a sharia como lei comum somali e, lentamente, crescendo e se tornando o poder real no país. Acreditem, melhor ter a sharia como lei que nenhuma lei, frente a todo tipo de caos, morte e violência que a Somália se tornou, ela levou adiante a venezuelização com mais sucesso que a própria Venezuela, já levando os islâmicos para tomar conta dos destroços.

Parte IV - Venezuelização Completa!

Bom, eu achei que iria poder fazer um resumo breve da história da Somália, mas de fato é impossível. Foram quase 4 horas de leitura de pelo menos umas... deixa eu ver... Caras, várias páginas... Até chegar na parte do começo da guerra civil era uma história complexa mas fácil de se seguir. Mas chegou a guerra civil, caras, é uma loucura enorme, não dá pra se fazer uma linha do tempo fácil de entender de como o país se desintegrou e virou aquela colcha de retalhos.

Meu comentário final é minha opinião, lá tá tão crítica a situação que melhor os islâmicos colocarem ordem, qualquer ordem, que o banho de sangue que a Somália se tornou antes deles.

Tentei encontrar mais informações sobre os erros econômicos que levaram ao caos que levou ao caos (venezuelização completa) mas tbm é complexo demais.

Basicamente, é aquele lance da Venezuela (sem dúvidas, o maior exemplo do que pode acontecer ao país é a Somália, mais uma razao para o Brasil pensar mil vezes em como resolver esse problema antes de ele vir com força pra cá) poder se tornar a Somália da América Latina.

 

As idéias socialistas de destruir o que tinha antes para construir algo novo são ótimas na teoria, mas sempre que aplicadas trazem morte, violência e opressão, porque quando você tira a base de qualquer construção, ela cai. Claro que um revoltado sem preocupação real para com o próximo vai dizer "Tem que cair essa estrutura podre pra gente criar uma nova" mas em todos os casos que se tentou fazer isso, deu essa merda. A Somália só foi mais rápida que qualquer outro caso.

 

Imaginando que a Venezuela já pensou em entrar em conflito com seus vizinhos, dá pra se prever o que aconteceria.

 

Sei lá, a Somália é o exemplo mais terrível de como o socialismo pode ser capaz de destruir. Então, se seu coleguinha de forum disser que a culpa da miséria na África é do capitalismo, manda ele estudar.

 

 

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Já temos exemplos práticos, como esse, de que o socialismo não funciona para a população. Apenas uma casta privilegiada é que realmente ganha com isso.

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46 minutos atrás, Qualquerum disse:

Já temos exemplos práticos, como esse, de que o socialismo não funciona para a população. Apenas uma casta privilegiada é que realmente ganha com isso.

O problema é que mesmo hoje, no Brasil, na BG, temos pessoas que não só defendem essa loucura como ainda atacam quem pensa diferente.

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2 horas atrás, Goris disse:

O problema é que mesmo hoje, no Brasil, na BG, temos pessoas que não só defendem essa loucura como ainda atacam quem pensa diferente.

Ter opiniões contrárias é comum na democracia e pessoas que acreditam em utopias sempre irão existir, não considero um problema que pessoas pensem dessa forma. Problema mesmo é apenas quando elas conseguem estar no poder e causam crises ao país ou coisa pior.

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7 horas atrás, Goris disse:

Então, pensei: Por que não explicar a realidade pra essas pessoas? Mostrar a verdadeira história da África e como ela se tornou o caos que é hoje?

A realidade é o que as pessoas querem/conseguem ver, usamos nossa subjetividade para colorir o que entendemos o que é real. Botar um bloco de texto com a historia da Africa, não vai mudar a percepção que o capitalismo é ruim, pois a pessoa decidiu que esse sistema é ruim e prefere lutar ate a morte do que dizer que estava errada.

Aparentemente o fantasma do Socialismo ainda paira sobre o imaginário de muitas pessoas, é incrível como existem textos e pessoas ainda comentando um sistema que entrou em bancarrota 30 anos atrás. O perigo vermelho ainda existe na cabeça das pessoas e isso me fascina, botam culpa no socialismo por estar financiando terrorismo, destruição da familia tradicional e corrompendo jovens a não estudar/ir pra igreja/usar drogas. Nesse final de semana veio um juiz falar de pedofilia e adivinha quem ele colocou a culpa? "ideias socialistas" como se tivesse uma cabala de pessoas usando vermelho planejando a queda do mundo ocidental...

Hoje em dia ter um dialogo com alguem é muito difícil, "concordar em discordar" é algo muito raro hoje em dia, fala-se muito em inclusão e aceitação, mas existem poucas pessoas vivendo esse paradigma. Ter que apreender que alguém não vai mudar de ideia, mesmo que voce mostre por A+B que isso é errado é uma coisa bem dificil, mas libertadora.

Mas valeu pelo resumão, é bem interessante ler topicos que não aprecem no nosso dia a dia

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Como vivia Mansa Musa, o homem mais rico da história

O Rei Musa Keita I era "mais rico do que qualquer pessoa possa descrever", segunda a revista Time

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MANSA MUSA RETRATADO EM UM MAPA DO ATLAS CATALÃO DE 1375 (FOTO: ATLAS CATALÃO)

O rei africano Musa Keita I é considerado a pessoa mais rica da história. Segundo a revista Time, Musa é "mais rico do que qualquer pessoa possa descrever."

Considerando que Augusto César, o imperador romano, que, segundo a Time, é a segunda pessoa mais rica da história com patrimônio estimado em US$ 4,6 trilhões, então a fortuna de Musa Mansa, como Musa Keita I ficou conhecido após tornar-se rei, era impressionante.

"Realmente não tem uma maneira de mensurar com precisão a riqueza de Mansa Musa", disse Jacob Davidson da Time.

Mansa Musa governou o Império do Mali no século 14 e seu território era abundante em riquezas naturais - com destaque para o ouro.

Musa Keita I assumiu o poder em 1312. Ele assumiu o título de 'Mansa', que significa 'Rei', em um momento que diversos reinados africanos estavam prosperando. Ele expandiu de maneira exponencial as fronteiras de seu território - totalizando um domínio sobre mais de 3.200 km.

Seu império controlava os territórios dos países que atualmente são a Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Mali, Guiné, Burkina Faso, Níger, Nigéria e Chade. Considerando as atuais escalas, ele dominava um território que compreende nove países.

Sua imensa fortuna ficou famosa quando, em 1324, Mansa Musa fez a peregrinação de quase 6.400 km até a cidade de Meca, na Arábia Saudita. O Rei não poupou despesas na viagem. Segundo o Business Insider, a comitiva que realizou a peregrinção junto a ele era composta por dezenas de milhares de soldados, civis e escravos. Além de 500 arautos que carregavam, junto de diversos camelos e cavalos, muitas barras de ouro.

Ao passar pela cidade de Cairo, no Egito, Mansa Musa doou tanto ouro e dinheiro que gerou uma crise inflacionária na cidade. Foram necessários muitos anos para que Cairo se recuperasse das doações.

Mansa Musa governou por 25 anos até falecer em 1337, mas deixou um enorme legado de mesquitas, escolas, bibliotecas e museus que persistiu por muitas gerações.

Fonte: Revista Epoca

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

Bom, outro tópico sobre História da África, ainda que desta vez não seja exactamente um tópico sobre história, mas sobre uma personalidade histórica. Tipo, de o segundo colocado tem 4,6 triliões de dólares, imagina quanta riqueza tinha esse rei, cujos simples presentes e esmolas fez com a inflação crescesse tanto no Egito que demorou décadas pra coisa voltar ao normal?

 

@Maressa Kristorm, por acaso leu ou vai ler este tópico e já assistiu ao filme da Mulher Maravilha? Pantera Negra? Meu próximo post é sobre as amazonas guerreiras africanas reais. Que lutavam com armas de fogo e exercitos inteiros tinham medo delas.

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Black Panther? Se tivessem coragem fariam é o filme das Amazonas Negras!

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Era 1889. O Reino de Dahomey (uns chamam Daomé mas acho feio) era uma sombra das glórias do passado. Potências européias dividiam a África, usando influência e força para consolidar e adquirir novas colônias. Tribos se sentiam confiantes para negociar com os europeus, inclusive Porto-Novo, um assentamento a 11Km do litoral. Mesmo depois que as tropas de Dahomey tomaram o lugar, o chefe ainda se sentia protegido pela bandeira francesa hasteada. A General  em comando falou: “Então você gosta dessa bandeira? Bem, ela vai lhe ser útil”.  Fez um aceno com a cabeça, uma guerreira cortou a cabeça do chefe com um só golpe de espada. Embrulhada na bandeira francesa, foi levada de presente para o Rei.

A História tem um monte de relatos de mulheres guerreiras e sociedades como as Amazonas, mas todas se mantém no rol das lendas. Somente uma vez uma classe inteira de mulheres deteve real poder e respeito, foi durante o Reino Dahomey, mas você não vai ver essa história por aí. Ela tem muitas verdades inconvenientes.

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Surgindo na História ocidental em 1716, o Reino Dahomey logo chamou a atenção por uma peculiaridade: As Gbeto, mulheres caçadoras de elefantes, implacáveis, percorriam as savanas em grupos de 20, armadas de mosquetes e facas. Usavam capacetes com chifres para que os paquidermes as confundissem com inofensivos antílopes. Atacavam de forma coordenada, mas era uma atividade perigosa. Nunca um grupo voltava inteiro, há relatos de 12 mortes em uma única expedição, mas isso não as amedrontava.

Com o tempo ficou evidente que essas habilidades seriam melhor exploradas no campo de batalha, e elas foram admitidas primeiro como guarda-costas, depois como guerreiras, o que resolveu um problema sério: O exército do Rei era abastecido com jovens da população mas também com soldados capturados de tribos vizinhas, e homens fortes saudáveis inimigos eram valiosos demais como escravos.

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Dahomey lucrava horrores vendendo escravos para os europeus, e esses eram na imensa maioria homens. Assim como as fábricas nos EUA na Segunda Guerra foram dominadas por mulheres, as forças armadas do Reino abriram espaço para a mão de obra feminina, com o Corpo de Guerreiras sendo conhecido como Amazonas de Dahomey.

A opção foi muito boa, já que o país não era exatamente Wakanda, mulheres eram cidadãos de terceira classe, igualados a escravos. Uma mulher servia as refeições para o marido, sem nunca olhá-lo diretamente nos olhos, e deveria esperar a seus pés enquanto ele comia. Ela não poderia se alimenta na presença dele.

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Curiosamente o desprezo geral às mulheres não se estendia às mulheres palacianas. Quando alguma mulher do corpo de Amazonas saia do palácio, era precedida de uma escrava tocando um sino. Isso alertava a todos os homens que saíssem do caminho, mantivessem uma distância minima e desviassem o olhar. Tocar em qualquer mulher da comitiva, mesmo nas escravas, era punido com a morte.

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As Amazonas de Dahomey eram escolhidas ainda bem jovens, com oito ou nove anos, e treinadas para lutar, com armas ou corpo a corpo, aprendiam táticas, estratégia (do grego strategos…), ataques coordenados e até coreografia, tradicionalmente elas adoravam desfilar para os Reis.

Algumas eram especializadas em espionagem, infiltrando acampamentos inimigos para obter informação ou seduzir jovens soldados que então eram capturados e vendidos como escravos. Há relatos de espiãs que se apaixonavam pelo alvo, e na hora indicavam outro trouxa como o “sedutor”, e o sujeito ia escravizado sem ter feito nada.

Tecnicamente as amazonas eram celibatárias, e casos de gravidez eram punidos, mas como os Reis sabiam que ninguém é de ferro, acabavam liberando a maioria dos casos, só pegando uma ou outra como exemplo. Certa vez 150 apareceram grávidas. Glele, o Rei da época executou publicamente quatro dos homens envolvidos, e ordenou que quatro amazonas fossem executadas. Isso foi feito, mas em privativo, no palácio, sem nenhum homem presente. Somente uma Amazona poderia matar outra Amazona.

Em teoria as Amazonas eram esposas do Rei, mas eles raramente exerciam esse privilégio, preferiam as esposas mais dóceis e menos… letais. Mesmo assim o status de esposa real tornava as amazonas superiores a quase todo mundo no palácio, mesmo outros soldados.

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Seh-Dong-Hong-Beh, Amazona Dahomey, ilustração de Frederick Forbes, 1851. O dono da cabeça é desconhecido, podemos chamá-lo de Wilson.

Ao contrário das guarda-costas do Khadaffi, as Amazonas eram guerreiras de verdade, era essencial que Dahomey estivesse sempre em guerra com seus vizinhos, para continuar suprindo os escravos que enchiam os cofres reais e cuidavam das tarefas do dia-a-dia da sociedade. Um dos privilégios das Amazonas inclusive era que assim que se tornava uma recruta, cada Amazona ganhava uma escrava. As oficiais podiam ter várias, muitas delas chegavam a ter 50 escravas pra cozinhar, limpar, plantar e carregar suprimentos durante as batalhas.

Relatos de cientistas contam que as Amazonas eram extremamente orgulhosas, dizendo-se capaz de tomar qualquer reino que seu Rei desejasse, suas canções falavam de voltar vitoriosas ou ser enterradas debaixo das ruínas do reino inimigo. Mesmo as novatas mais fracas se portavam com a mesma merecida arrogância.


O grande segredo das Amazonas, que em 1847 chegaram a 8000, era a disciplina militar quase fanática, algo incomum em uma região onde a maioria dos reinos sequer tinha uma força armada permanente. Há um consenso entre historiadores que essa formação militar foi introduzida por volta de 1770 por escravos brasileiros libertos que voltaram para a África e se estabeleceram em Dahomey. Quase certo que igualmente pesou a influência de Francisco Felix de Souza, o maior traficante de escravos do Brasil e conselheiro pessoal do Rei de Dahomey.

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Francisco Felix de Souza, homenageado com uma estátua em Benim, because of reasons….

No Palácio e nos quartéis as Amazonas eram chamadas de “Mino”, que significa “nossas mães”, era um termo carinhoso mas ninguém se enganava, elas eram treinadas para não ligar para dor, um dos muitos exercícios era se jogar contra paredes de espinhos, e não só a morte não significava nada para elas, matar também estava no sangue.

Durante certas cerimônias elas construíam grandes torres, do alto das quais jogavam prisioneiros para a multidão. Um relato conta que costumavam treinar guerreiras “virgens”  de combate, mandando que matassem prisioneiros. Um missionário assistiu horrorizado uma jovem tenente arrancar a cabeça de um prisioneiro com três golpes de fação, limpar a lâmina com os dedos e beber o sangue,

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Em 1865 o dinheiro do Reino secou; os ingleses puseram fim ao Tráfico de Escravos do Atlântico, e Dahomey teve dificuldades em modernizar seu exército. Os franceses viram isso como oportunidade, mas levaram quatro anos, de 1890 a 1894 para conseguir uma capitulação. Foram 23 batalhas separadas, onde as Amazonas eram as últimas a se render, mas não a desistir.

As Amazonas sobreviventes trocavam os uniformes por roupas civis, vestiam seus melhores sorrisos e se misturavam às tropas de ocupação, sendo “seduzidas” pelos oficiais franceses, que acordavam degolados pelas próprias baionetas.

Um Legionário registrou:

“As guerreiras lutam com extremo valor, sempre adiante das outras tropas. São incrivelmente corajosas, bem treinadas e muito disciplinadas.”

Outro comentou, em 1892:

“Não sei quem ensionou a eles táticas militares, manejo de armas de fogo ou técnicas de tiro, mas esse alguém mereceu seu pagamento.”

A tropa foi debandada em 1900, e era meio consenso que as últimas Amazonas haviam morrido nos Anos 40, mas em 1978 uma historiadora local encontrou uma velhinha de 99 anos morando em uma vila chamada Kinta. Ela se recordava de ter combatido os franceses em 1892. Um ano mais tarde, em Novembro de 1979 morria Nawi, a última da Guerreiras Amazonas de Dahomey, ela viveu até os 100 anos e teve o prazer de ver em 1960 seu país, hoje chamado Benim, voltar a ser independente.

Bibliografia:

  1. Amazons of Black Sparta: The Women Warriors of Dahomey – Stanley B. Alpern
  2. Journal de Francesco Borghero, premier missionnaire du Dahomey – Francesco Borghero
  3. Slavery, Colonialism and Economic Growth in Dahomey, 1640-1960 – Patrick Manning
  4. Dahomey’s Women Warriors – Mike Dash


Fonte: Contraditorium

-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Achei a matéria bem interessante. Mulheres guerreiras realmente poderosas, que tinham suas próprias escravas e que se um homem as tocasse, poderia ser punido! E com armas de fogo!

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Em 05/03/2018 at 18:37, Brek disse:

Já temos exemplos práticos, como esse, de que o socialismo não funciona para a população. Apenas uma casta privilegiada é que realmente ganha com isso.

A Revolução dos Bichos, tanto o livro, quanto o filme faz um resumo interessante sobre td que foi explicado acima e melhor ...Com um humor, ainda  que seja negro.

Lerei os dois últimos Posts mais tarde @Goris achei muito bom o resumo da história polirica e econômica da Somália.Minha aula Magna na faculdade foi sobre o continente africano,aprendi mais nessa aula sua aqui e na minha Magna que nos 4 anos de faculdade.

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Vamos à uma das mais antigas nações do mundo, isso mesmo, a Etiópia já era rica e poderosa quando Moisés recebia os Mandamentos e os gregos fugiam de ciclopes e deuses raivosos.
República Democrática Federal da Etiópia
 

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Etiópia, no centro do Chifre da África


Provável lar ancestral de nós, homo sapiens (e mulheres sapiens) modernos, a Etiópia começa sua história em 800 aC, com o surgimento do reino D'mt, reino que daria origem a Etiópia. Na época de gregos e hebreus, a Etiópia já era uma nação poderosa, de onde veio a famosa rainha de Sabá.

Lendas?
Se formos levar a Biblia em conta, a Rainha de Sabá (ou Shva ou Mkeda) ao saber da sabedoria do Rei Salomão, teria visitado o Reino de Israel levando enorme quantidade de ouro como presente, discutido assuntos de Estado e, depois de algum tempo, retornado a seu país. 
Porém, todavia, entretanto, ela teria sido seduzida (ou seduzido, há controvérsias) Salomão e, dele, teria surgido a dinastia que séculos depois ainda controlaria o país, de acordo com a versão etíope.

História real.
Após o século IV aC, o reino se divide em vários reinos menores, até o século I AC, quando um desses reinos menores, Axum, se torna um império e domina os outros reinos, estabelecendo uma longa e duradoura cultura e expandindo seus domínios para o sul do chifre da África (curiosamente, mesma região da vizinha Somália, que eu falarei mais pra frenteno  tópico) nos séculos seguintes.

Axum, junto com China, Pérsia e Roma foram listadas pelo sábio persa Maniqueu como as maiores potências do mundo a sua época (o que contrasta bastante com a lenda que aprendemos nas escolas que a Africa era um continente atrasado e pobre desde sempre).

No século XV, a Etiópia voltou a encontrar com seus irmãos cristãos da europa, em busca de aliados, contatando os reis de Inglaterra e Portugal e obtendo ajuda contra invasores islâmicos. Se, a princípio, o reencontro com irmãos cristãos foi enxergado como algo bom, com o tempo missionários jesuítas passaram a converter etíopes para o catolicismo e a criar atritos com a Igreja Ortodoxa Etíope, gerando uma época de sérios conflitos, que terminou com a expulsão dos jesuítas do país e da confirmação da Igreja Ortodoxa Etíope como a oficial do país em cerca de 1630.

Seguiu-se uma longa idade de isolacioninsmo, com o poder imperial diminuindo e se fragmentando nos 2 seculos seguintes.

Teodoros II e a reunificação imperial.
 

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Teodoro II capturando Henry Stern, 1863

O  Imperador Tewodros (Teodoro) II surgiu em 1855, usurpando o trono e unindo todo o reino novamente. Ele enfrentou diversas revoltas internas, principalmente por não ter sangue real, e buscou ajuda inglesa. Inicialmente para modernizar e unificar a Etiópia (então com o nome de Abissínia). Mas com o tempo, os ingleses pararam de ajudar ao monarca. Insatisfeito com a recusa inglesa em maior ajuda, Tewodros sequestrou missionários, comerciantes e representantes ingleses com o objetivo de forçar a Inglaterra a negociar. Não foi a melhor idéia que ele teve. Se ele tivesse se feito de vítima, esperado 3 séculos, talvez pudesse ter mais sucesso, mas naquele momento, a Inglaterra enviou uma enorme força-tarefa contra o país e, numa batalha em 1868, venceu as tropas de Tewodros, que se suicidou para evitar ser capturado.

Apesar da vitória, a Inglaterra não buscou conquistar a Etiópia, deixando o caminho livre para a Itália.

Menelik II e a guerra contra a Itália.
 

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Menelik II

A história de Menelik II já daria, por si só, um tópico inteiro, mas resumidamente, Teodoro II, quando usurpou o trono, prendeu todos os legítimos herdeiros em uma cidade, onde poderia mantê-los como reféns em caso de necessidade. Teodoro não era um rei muito querido e, após os festejos por sua morte, Menelik foi um dos que buscaram provar seu direito ao trono. Foi um período de ainda mais guerras civis entre ele e seus rivais. Menelik, ao saber dos italianos, faz um acordo com eles em troca de ajuda.

O acordo foi manipulado (neste caso, sim, foi manipulado) de forma a haver um documento dando várias regalias e direitos à Itália em troca de auxílio político, militar e econômico da mesma. Mas a versão levada dalí para a Europa era bem outra. Nela, a Etiópia reconhecia que somente poderia se relacionar ao mundo externo por intermédio dos italianos. Que, claro, sempre deturpariam seus pedidos e anseios como melhor lhes conviesse.

Quando Menelik percebeu o logro, buscou modernizar seu exército, com armas e treinamento de origem européia. Quando os italianos tomaram parte do reino, a colônia da Eritréia, Menelik e sua esposa lançaram sua força de 110 mil guerreiros, incluindo soldados armados com rifles e cerca de 28 canhões. O resultado foi a primeira grande vitória de uma nação africana contra um colonizador europeu, em 1896. Vale lembrar, a Wikipedia em portuguêsnem sempre é uma boa fonte, já que alguém por lá acha que africanos eram selvagens armados com lanças e flechas.

A vitória trouxe, além da retomada do reino e do respeito das nações européias, que consideraram a Etiópia como uma nação poderosa, um longo período de paz e acordos comerciais e diplomáticos vantajosos. Menelik morreu em 1913.

Rei Rasta! Esse é do bons!
 

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Haile Selassie - Imperador, humanista, pacifista e messias nas horas vagas!


Haile Selassie então subiu ao trono. Inteligente, conseguiu acabar com as lutas internas da Etiópia, unindo os diversos clãs e levou adiante a modernização da Eitópia. Mais que apenas um rei Etíope, buscou unir as nações africanas e mesmo as européias numa tentativa de impedir massacres e guerras desnecessárias.

Selassia era um humanista. Um que não deixava os sonhos o impedirem de ver e reagir à realidade, mas que se adaptava aos fatos mantendo seus objetivos sempre como destino final. Foi um dos grandes incentivadores da Liga das  Nações e das Nações Unidas, sendo considerados por muitos, um dos maiores oradores do Século XX. Honestamente, não sabia muito sobre Selassie (exceto que tinha relação com os rastafari) e quanto mais lia sobre ele, mais interessante ele me parecia, como figura histórica e humana.

Foi ele quem aboliu a Escravidão na África - sim, o Brasil tá longe de ter sido o último país do mundo a abolir a escravidão - e buscou seguir os planos de modernização de seu país, tanto trazendo a tecnologia a seu país quanto tentando enquadrar seu país na comunidade internacional. Objetivos que ele conseguiu com certo sucesso, visto que quase toda a comunidade internacional foi contra a invasão italiana da Etiópia, ainda que nenhuma nação tenha se arriscado a entrar numa guerra por conta deles.

Em 1935, depois de sete meses e o uso de aviões e até armas químicas, a Itália conquista a Etiópia, forçando Selassia a se exilar na Inglaterra e, de lá, dirigir as tentativas de resistência ao inimigo. 

Vale comentar que durante seu exílio da Etiópia e luta contra os invasores italianos, surgiu uma religião que considerava Selassie o messias (lembra que eu disse que a Rainha de Sabá teve um filho com o Rei Salomão? Se Jesus não era o Messias, por linha de sangue Selassie seria o Messias esperado!) na Jamaica. A religião tinha o nome pré-coroação de Selassie, Ras Tafari. Isso, essa mesa. Durante uma visita ao país, o imperador destronado recebeu o apoio de pessoas que o consideravam um deus. Enquanto muitos líderes, de Stálin a Lula, adorariam isso, Selassie tentou explicar aos jamaicanos que era apenas um homem e que essa religião com foco nele era errada. 

Em 1941, seis anos depois, a itália é expulsa do país e Haile Selassie retorna, com planos de modernizar ainda mais o país, levando todos os avanços e melhorias que desfrutou na Inglaterra para seu povo. O exílio o fez querer que o povo da Etiópia tivesse a mesma qualidade de vida que o povo inglês. Ele procurou muitas idéias que poderiam ser aplicadas e seu povo e criou um plano de reformas lentas, que não destruíssem a coesão milenar de seu povo, mas que assim mesmo o levasse a adquirir os hábitos que, ele acreditava, tornariam seu país uma WakandaInglaterra africana.


Impostos progressivos, com os mais ricos pagando mais, voto universal, uma constituição igualitária. Selassie era um governante progressista, mas de um tipo de progressismo que não interessava a todos os grupos no país. Certos grupos, indivíduos bons, iluminados, dispostos a levar a igualdade ao povo seguindo os ensinamentos de um profeta maluco chamado Carlos Marques estavam insatisfeitos com as melhorias insucifientes de Selassie, afinal, segundo eles, bastava seguir os ensinamentos de Carlos Marques e a Etiópia se tornaria um paraíso na Terra, não em décadas, mas rapidamente.

Agora sim, com Carlos Marques a Etiópia vai avançar!
 

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Raul Castro, Fidel Castro e Mengistu, igualdade para todos! Ou quase todos!

Mengistu Haile Mariam foi o líder do golpe militargrupo marxista-leninista que tomou o poder do país em 1974, aprisionando Selassie (e, segundo boatos, o assassinando) lançando o país, que crescera sob o governo Selassie, numa loooooooooooonga sequencia de mortes, falta de liberdade e fome, numa clara deturpação dos ideais de Carlos Marques. O governo Mengistu instituiu o terror vermelho como reação a um suposto terror branco (pessoas que realizavam matanças e massacres contra o pobre povo etíope), levando milhões de pessoas a passarem fome e, pelo menos 1 milhão de mortos. Não podemos colocar toda a culpa no arauto do socialismo, como sempre acontece, uma seca terrível causou a falta de comida, não o socialismo. Ah, os socialistas descobriram que podiam usar a fome como arma de guerra contra regiões insurgentes, causando ainda mais mortes.

Em 1977, a também socialista Somália invade a Etiópia e foi só graças à ajuda de URSS, Cuba, China e Alemanha Oriental, o país consegue se manter livre. Soldados cubanos e russos dão apoio logístico ao exército etíope, outrora orgulhoso de resistir aos ataques de potências européias muito superiores, agora perseguiam e caçavam seus próprios concidadãos.

Os anos 80 foram um festival de secas, guerras civis e algo inédito e impensável, numa nação que seguia os ensinamentos de Carlos Marques, com o governo se desintegrando em meio à guerra civil e o país entrando em caos. Nesse meio tempo, no resto do mundo, os países comunistas do Leste Europeu caem um a um, se tornando democracias no rastro da derrubada do Muro de Berlim. A própria União Soviética resiste mais um ano e também se desintegra (anotem essa palavra para o próximo país), deixando de enviar dinheiro para auxiliar os comunistas etíopes. Sem dinheiro para manter o pouco de exército e população fiel, lembrando a famosa frase "o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros", em 1991 o governo cai e Mengistu é condenado por genocídio, mas consegue escapar para Zimbábue (nossa próxima parada em tópicos sobre países que deturparam Carlos Marques).


Atualidade. Ou quase.

Meles Zenawi era um estudante de medicina que, durante o golpe marxista, acabou deixando a faculdade para participar de guerrilhas contra os golpistas. Vale comentar que Zenawi era, ele mesmo, socialista mas contrário aos métodos e objetivos do governo marxista-leninista de Mengistu. Ele logo se tornou um dos lideres da guerrilha anti-governo e, quando o país se desintegrou após o fim da ajuda soviética, acabou se tornando o líder do governo de transição.

Zenawi reestabeleceu o multi-partidarismo e a liberdade religiosa, assim como institui eleiçoes democráticas livres e privatizou diversos setores da economia. Outra ação dele, já como presidente eleito, foi dividir o país em áreas de acordo com a etnia da população, evitando novos conflitos e guerras civis. Também neste período, após uma eleição, a Eritréia ganhou sua independência do país.

Apesar dos avanços, mais de 30 anos de fome, guerra civil e socialismomortes trouxe seu preço, com o país precisando reconstruir sua infraestrutura e tudo o que foi destruído em todos esses anos.

Hoje, a Etiópia tem IDH de 0,44, o tornando o 174 (de 188 países) IDH do mundo.

Nada mal para uma nação com milhares de anos de existência, que resistiu aos ataques de uma nação européia muito mais poderosa. Culpa, claro, do capitalismo opressor.

Fonte: Wikipédia

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A História dos verdadeiros Panteras Negras que salvaram a Easy Company


 Cardoso 10/04/2018


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Um estereótipo brilhantemente subvertido no filme do South Park é que negros no exército eram buchas de canhão, mandados na frente pra morrer no lugar dos brancos. Na realidade as forças armadas dos EUA na Segunda Guerra eram segregadas, então na maior parte do conflito você não via unidades brancas e negras lutando juntas.

 

Mais ainda: O pensamento racista oficial definia o negro como inferior, não como diferente. Se o problema fosse a diferença, beleza, é só acionar a operação Fiquem Atrás dos Escurinhos, mas havia uma crença honesta de que negros não eram inteligentes o bastante para lutar, e por isso ficavam relegados a funções administrativas, como oficiais de almoxarifado, logística e cozinheiros. Em algumas forças como a Marinha isso se manteve até o fim da guerra. Já no exército a necessidade fez com que negros fossem colocados em posições de combate. Isso foi até matéria da revista Life em sua edição de 15/6/1942:

 

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As unidades negras, mesmo segregadas foram forte influência para as lutas pelos Direitos Civis nos anos 50 e 60, e criaram além dos militantes, que não aceitavam mais serem vistos como inferiores, como criaram aliados, como disse o coronel, branco, comandante do Campo Claiborne em Los Angeles, onde havia várias unidades de negros em treinamento (treinamento para serem soldados, não treinamento para serem negros) :

 

“Eu mesmo sou um sulista plantador de algodão, e eu não chamo esses garotos de crioulos. Eu os chamo de soldados americanos, e soldados danados de bons!”

A chance de se descobrir se eram bons mesmos aconteceu em 9 de Novembro de 1944, quando a Companha B do 761o Batalhão de Tanques se aproximou de Morville-lès-Vic, na França. Era parte da campanha da Ardenas, o resgate da Easy Company e do resto da 101a Aerotransportada que estavam segurando os alemães na base do desespero, sem comida, remédios ou munição.

 

Os jovens negros do 761o estavam bem armados, bem motivados mas eram inexperientes. Esperando por eles, duas divisões Panzer da SS repletas de veteranos, e pra piorar eles ainda eram (diziam) da raça superior.

 

Aparentemente eram mesmo, assim que os tanques despontaram foram recebidos com uma chuva de tiros de bazuca e metralhadora. Com seu tanque atingido e em chamas, o Sargento Roy King tentou sair do veículo, mas foi atingido mortalmente. Seus dois tripulantes também foram alvejados mas mesmo feridos conseguiram escapar.

 

Em outro tanque danificado o soldado John McNeil se escondeu debaixo do veículo e afastou com tiros de Thompson os alemães que tentavam se aproximar. Isso deu tempo para que o técnico James T. Whitby pulasse de volta para dentro do tanque, ainda em chamas, municiasse a metralhadora .30 e começasse a atirar nos alemães. Os dois mantiveram a posição por mais de três horas. Outras unidades avançaram, e ao final do dia a vila estava tomada. A um custo altíssimo, um oficial e nove soldados mortos, as primeiras baixas dos Panteras Negras, o nome do 761o batalhão.

 

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Um dos prisioneiros alemães foi categórico ao descrever seu contato com o inimigo:

 

“Tanta bravura. Eu só vi isso uma vez, e foi na Frente Russa.”

 

A unidade, que era usada como substitutos quando não havia mais tropas regulares pra enviar, estava exultante. O Capitão John D Long, o segundo negro a se tornar Tenente no Exército dos EUA foi direito ao ponto:

 

“Nós ganhamos alguns roxos mas tomamos a porra da cidade. Depois de Morville-Lès-Vic não havia uma unidade branca que não ficasse danada de alegre de ver a gente. Nós éramos uns filhos da mãe combatentes, e nossa reputação nos precedia.”

 

O Capitão Long era carinhosamente chamado, pelos 6 oficiais brancos da unidade “Black Patton”, por sua capacidade de liderança e inspiração, mas o verdadeiro Patton tinha o principal mérito. Ele teria requisitado, 3 dias após o Dia D o envio de uma unidade de tanques “a melhor disponível”. O Departamento de Guerra disse que só tinham negros disponíveis. Patton teria respondido “Eu perguntei a cor deles? Eu quero tanqueiros!”

 

Eles acabaram se tornando a unidade mais eficiente do exército de Patton, que apesar de suas dúvidas pessoais, confiou nos rapazes, e seu discurso quando os recebeu, alguns dias antes de entrarem em combate foi profético:

 

“Homens, vocês são os primeiros tanqueiros negros a combater no Exército Americano. Eu nunca teria pedido por vocês se vocês não fossem bons, e eu não tenho nada além do melhor no meu Exército. Eu não me importo com que cor vocês tenham desde que estejam lá matando aqueles chucrutes filhos da puta. Todo mundo tem os olhos em vocês e esperam grandes feitos de vocês. A maioria da sua raça espera o seu sucesso. Não os decepcionem e diabos, não me decepcionem! Dizem que é patriótico morrer pelo seu país. OK, vamos ver quando patriotas nós conseguimos criar, daqueles alemães filhos da puta!”

 

Algumas vezes havia uma vantagem estratégia nos soldados do 761. Os alemães estavam usando uma tática onde tomavam postos de controle nas estradas, disfarçavam seus homens com uniformes americanos e emboscavam os inimigos que se aproximavam. A estratégia de Patton foi trocar as sentinelas por soldados negros do 761, com a ordem de atirarem em qualquer soldado americano branco que estivesse agindo de forma suspeita. Deu certo.

 

O 761 teve muitos heróis, o maior deles talvez seja o Sargento Ruben Rivers, esse sujeito aqui que parece o Morpheus antes da fase emo.

 

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Uma barreira antitanque havia sido colocada no meio da estrada. O tanque do Sargento Rivers era o primeiro, então ele não pensou duas vezes: Sob fogo inimigo saltou do tanque, amarrou um cabo na barreira e liberou o caminho para os outros. Um gesto de bravura que chamou a atenção dos oficiais, mas não houve tempo para celebrá-lo. Alguns dias depois durante um ataque o tanque do Sargento Rivers atingiu uma mina, a explosão lançou estilhaços que rasgaram sua coxa do joelho ao quadril, até o osso.

 

Sendo atendido pelo médico, foi classificado como um ferimento de um milhão de dólares, sério o bastante pra garantir o retorno pra casa mas algo que ele poderia sobreviver.

 

O Sargento Rivers se recusou a aceitar a morfina e a ser evacuado. Quando o Capitão ordenou que ele obedecesse ao médico, a resposta foi “Esta é a única ordem que irei desobedecer, senhor”.

 

Sem opção os médicos enfaixaram a ferida e deixaram o sargento, que arrumou outro tanque e continuou lutando.

 

Dois dias depois a ferida estava bastante infeccionada, os médicos avisavam que ele havia desenvolvido gangrena e que poderia perder a perna. O Sargento Rivers não ligou, e mesmo claramente sofrendo muitas dores continuou em seu tanque, até que durante um ataque foram surpreendidos por uma imensa quantidade de inimigos. Os dez tanques da unidade receberam ordem de recuar. Rivers se recusou, ficou para trás detendo sozinho o inimigo, disparando sem parar o canhão M3 de 75mm de seu tanque Sherman, enquanto ignorava o barulho ensurdecedor e a dor na perna.

 

A sorte não durou para sempre, um tiro certeiro de um 88mm nazista abriu o tanque “como um ovo” e outro tiro de munição perfurante pôs fim ao Sargento Rivers.

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Mais tarde ele foi condecorado com a Medalha de Honra do Congresso. Muito mais tarde, na verdade só em 1997, quando não era mais constrangedor dar medalhas a heróis negros que não fossem o Jesse Owens.

 

Ao final da guerra o 761 havia pisado em 6 países diferentes, libertado um campo de concentração e causado 130 mil baixas entre o inimigo. Na Áustria, perto do Rio Enns eles se encontraram com tropas russas, e fizeram parte da guarda de honra que aceitou a rendição das tropas alemães.

 

No total foram uma Medalha de Honra, uma Presidential Unit Citation, 11 Estrelas de Prata e 300 Corações Púrpuras, mas todo o reconhecimento do heróis do 761o Batalhão de Tanques só começou a acontecer bem tarde. A Citação Presidencial foi obra de Jimmy Carter, a Medalha de Honra, de Clinton. Mesmo assim o maior e mais importante efeito dos esforços desses soldados apareceu bem mais cedo.

 

Durante o treinamento, em 1941 o quartel era segregado. Negros tinham que andar quase 2Km até o portão da base, e só podiam viajar de pé no fundo dos ônibus, os motoristas armados prendiam quem não seguisse as regras. Em 1945 já nos EUA o Sargento Johnnie Stevens estava pegando um ônibus em Fort Benning, Georgia, para Nova Jersey onde morava. O motorista se recusou a deixar o sargento negro subir no ônibus e ainda o chamou de “garoto”.

 

Para azar do racista caipira, junto do sargento estava todo um grupo de soldados brancos da 26a Divisão de Infantaria, que conheciam o Sargento e principalmente a reputação dos Panteras Negras. O motorista tomou um esporro fenomenal e o sargento não só viajou no ônibus como ainda ganhou um lugar na frente.

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Uma matéria de O Globo sobre Yuzuke, o famoso Samurai Negro, misturada com o texto de Um Toque de História:

Yazuke, o samurai negro

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O Japão não é um lugar que seria normalmente associado a presença de escravos oriundos da África. No entanto, no final do século 16, Oda Nobunaga, o mais poderoso senhor da guerra do Japão, tinha um escravo africano que não era apenas uma curiosidade cultural, mas também seu guarda-costas e que alcançou bastante prestígio entre os japoneses daquele tempo.


Em meados do século XVI, a costa do Japão começou a ser frequentada por navios espanhóis e portugueses, que na época já navegaram pelo Oceano Pacífico. Além das sedas e especiarias, esses comerciantes levavam como parte da tripulação missionários católicos, principalmente jesuítas, ansiosos para reunir almas frescas ao Senhor por aquelas terras pagãs.

Havia poucos nobres japoneses que via com curiosidade, até mesmo com bons olhos, esta nova religião e os estrangeiros barbudos. Um desses entusiastas era Oda Nobunaga, o primeiro dos três grandes unificadores do império insular, que em 1580 tinha conseguido colocar metade do país sob o seu controle e mantinha a outra metade em uma rédea curta. Sem exagero ele podia ser considerado o rei do Japão.

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Exército de Nonunaga

Homem de inteligência inquieta e visão avançada, Nobunaga recebeu de forma digna os jesuítas e, embora se converter ao cristianismo não estava nos seus planos, gostava de receber os religiosos em audiência para saber como era o mundo quinhentista além dos limites do arquipélago japonês.

Mas as crônicas contam que um dia a paz que Nobunaga tanto se esforçou trazer para a capital japonesa foi subitamente interrompido pela chegada de um pitoresco convidado.

Em 23 de março de 1581 desembarcou o italiano Alessando Valignano, padre visitador (inspetor) dos jesuítas. Este trazia em sua comitiva um mauro vassalo, tão negro como os etíopes da Guiné. Alguém cujo nome verdadeiro é até hoje desconhecido, mas a quem os japoneses logo batizaram como Yasuke (弥 助). De acordo com a Histoire ecclésiastique Et Des Isles Du Japon royaumes, escrita pelo jesuíta François Solier em 1627, Yasuke era nativo de Moçambique, mas outros relatos afirmam que ele veio do Congo. 

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Visitantes portugueses no Japão

As origens desta jovem impressionante ainda estão não totalmente conhecidas. Historiadores japoneses contemporâneos acreditavam que ele tinha sido vendido a Valignano em algum lugar no Congo, no entanto, estudos recentes mostram que ele pode ter sido um membro da etnia Makua de Moçambique, e que seu nome original era Yasufe. Moçambicano ou Congolês não se sabe, bem como se Yasufe , ou Yasuke, foi a primeira pessoa negra a pisar no Japão, uma vez que não era raro encontrar escravos africanos em galeões e caravelas da época. Mas, ao que parece, ele deve ter sido o primeiro negro visto na capital japonesa, Quioto, a então capital do Japão Imperial, sendo substituída por Tóquio em 1868.

O que se sabe, graças a testemunhos dos jesuítas e a documentos japoneses da época, é que Yasuke, ou Iusufe, chegou ao Japão em 1579, ao serviço do missionário napolitano Alessandro Valignano, nomeado Visitante das missões jesuíticas nas Índias, o que, na época, incluía também a costa oriental de África. O Visitante, uma espécie de inspetor, respondia diretamente ao superior geral da Companhia de Jesus.


A presença de Yasuke, um homem negro, com 1,88 metro, um gigante para a época, em particular para os padrões japoneses, atraía imensa gente, por onde quer que a comitiva de Valignano passasse, causando tumultos. Oda Nobunaga, rico e poderoso senhor feudal, ouviu falar dele e quis vê-lo. Não acreditando que um homem pudesse ter cor tão escura, ordenou que lhe dessem banho. Naturalmente, Yasuke saiu do banho ainda mais negro e reluzente do que quando entrara. Nobunaga ficou também muito impressionado com a força de Yasuke, com a sua inteligência e refinamento, convidando-o a viver no seu castelo, em Azuchi. Sabendo-se que Valignano sempre defendeu o estudo do japonês e a adaptação dos missionários e dos funcionários ao seu serviço aos usos e costumes locais, supõe-se que Yasuke falaria japonês com fluência.


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Yasuke ascendeu rapidamente na corte de Nobunaga, tornando-se o primeiro samurai estrangeiro da história do Japão. Combateu ao lado das forças do seu senhor, até estas serem derrotadas pelo exército do general rebelde Akechi Mitsuhide, em 1582. Nobunaga cometeu seppuku, o cruel suicídio por esventramento dos samurais, e Yasuke juntou-se ao filho de Nobunaga, Odu Nobutada. Distinguiu-se em combate, mas foi finalmente capturado. Akechi Mitsuhide, numa decisão que tanto pode ter tido motivações políticas quanto humanitárias, poupou-lhe a vida e entregou-o aos jesuítas.


A história de Yasuke talvez nos pareça hoje ainda mais extraordinária do que aos olhos de quem a testemunhou. Naquela época, no Japão, os africanos eram vistos com curiosidade; contudo, não há sinais de que houvesse preconceito racial. Yasuke foi admirado enquanto um ser exótico, é verdade, mas o reconhecimento que se seguiu resultou das qualidades humanas e de grande guerreiro que logo demonstrou.

Originais: OGlobo
               Toque de História
Obs: Mesclei as duas fontes num único texto, se tiver ficado ruim de ler, dêem um toque. Isso se alguém lê, parece que história da África não é muito popular na BG.

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